Quando você pensa, Deus sabe, quando você fala, o Capeta escuta

Meu pai repetia essa frase com frequência toda vez que falávamos algum palavrão ou maldizíamos alguma pessoa ou acontecimento. Nos últimos anos, com minhas repetidas falhas em entrar no mundo literário, o acúmulo de frustrações me levou a questionar meu talento (ou falta dele), trabalho, autoestima e precisava ventilar isso de alguma forma. Não, eu não queria agradecer a um Deus onisciente e onipresente que escreve certo por linhas tortas, eu necessitava de um ouvido empata, que entendesse minhas infinitas reclamações, e dissesse “você está certo, a vida é uma merda, você é um injustiçado”. Instantaneamente, um “pop-up” mental com a frase do meu pai escrita pulou na minha mente. Talvez, o capeta escutar não seja tão ruim, afinal.

Aqui você vai ler trechos do meu acasário (não posso chamar de diário porque não escrevo todos os dias, chamo de acasário pois escrevo ao acaso) escritos no bloco de notas do meu celular durante minutos roubados.

P.S. Sim, se você insistir, pode chamar essa sessão de “choramingos de um garotinho branco e privilegiado”. Esse, inclusive era meu título original, porém, chamar de garotinho um cara de quase quarenta é um elogio, e “choramingos” não é uma palavra muito “literata”. Preferi ficar com Ouvido do Diabo mesmo.

Ouvido do Diabo 1

Milésima tentativa de criar um diário. O nome permanece o mesmo. Quando você pensa, Deus sabe, Quando você fala (escreve) , o capeta escuta. Meu sempre dizia isso.

Ridiculamente, continuo achando que esse diário pode me render alguma coisa. Não escrevo para atingir autoconhecimento, para manter o hábito de escrever, penso em publicar essa merda e, algum dia, alguém irá ler e me alçar ao estrelato que sei que mereço.

O medo da morte me acompanha, dia e noite. Patético. Dia e Noite, noite e dia.

Minha vida é uma repetição do que já vivi. Ou não. Às vezes muda, às vezes não. À noite, posso ter um tempo para mim mesmo. Essa ânsia por solidão deve ser de família. Será que estou virando meu pai? Espero que não. Tenho que lutar contra isso.

Depois de jogar videogame, voltei a ler Phillip Roth. Que grande escritor. Estou na pegada de, se algo está fluindo, faço. No começo do ano, li freneticamente. Agora leio esporadicamente, porém jogo videogame freneticamente. No último mês, só joguei videogame. Depois a vontade passa. Vejo esportes para zerar os pensamentos. Falas desconexas. Escrevo.

Ouvido do Diabo 2

Tive um sonho escatológico noite passada. Sonhei que limpava merda o dia inteiro. Literalmente limpava merda. Não lembro porque tinha que fazer isso, só lembro que limpava. Acordei e tive que dar uma cagada. Bizarro. Devia ter escrito o sonho logo que acordei, lembraria de mais detalhes. Quando conto um de meus sonhos para alguém, eu dou uma acochambrada pro sonho fazer algum sentido. Ridículo, sempre me acho ridículo. Ao mesmo tempo, me acho subvalorizado. Vai entender. Que merda. Que necessidade de escrever palavrão. Caralho, merda, cu, pinto, pica, cu de novo. Não, não ajudou. Vou continuar a ler para me sentir mais medíocre. Merda.

Ouvido do Diabo 3

Terceiro dia do diário. Já estou com preguiça

Ouvido do Diabo 4

Terminei de ler Operação Shylock do Phillip Roth e comecei a ler uma autora nacional. A menina tem mais de 10 mil seguidores no Instagram, comprei o livro dela e dei o meu de presente, na tentativa de ganhar alguma divulgação. COmo vi que ela, de fato, estava lendo meu livro, me senti animado a ler o dela. Isso foi um erro.

Confesso que me surpreendi com a riqueza do vocabulário. Esse talvez seja o principal ponto positivo. Mas, como diria o velho Stephen King, o livro está “inchado”, cheio de frases que não avançam a história. Erro clássico de principiante. Eu já cometi este errro. A prosa não flui, o texto se perde em descrições e beletrismos sem de fato contar uma boa história. E, quando alguma coisa finalmente acontece, ela é explicada de novo.

A menina foi tão gentil e fez uma revisão tão positiva do meu livro, que achei melhor elogiar os pontos positivos. Ela escreveu o livro que estou lendo aos 18 anos, o que já é um grande mérito. Aos 18 eu estava me masturbando feito um louco, sequer pensava em escrever. Acho que ela tem futuro. Pelo menos, torço para que tenha

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