A primavera árabe foi uma série de movimentos a favor da democracia e liberdade que se propagaram por diversos países do mundo árabe, dentre eles a Síria, que era governada por Bashar al-Assad. Quando os movimentos chegaram à Síria o ministro da cultura de Assad mandou uma mensagem poética para o presidente: “O cavalo selvagem da revolução chegou à Síria sem um cavaleiro. Seja você este cavaleiro.”

            E foi exatamente isso que Assad fez, dialogou com os manifestantes, começou um processo de abertura política e hoje a Síria é um país moderno, um farol de democracia que guia a pérsia rumo à um novo tempo de glória. Certo? Errado.

            Bashar al-Assad tinha duas escolhas. A grandeza altruísta ou o poder mesquinho e claro que escolheu poder. Ordenou que o exército atacasse os manifestantes, chegando a usar gás sarín, um organofosforado que causa uma morte por asfixia agonizante, contra a própria população. Sabe o que é mais triste. O Assad só fez o que nós humanos fazemos sempre, porque é isso que nós somos. Somos egoístas. Somos vis. E a história mostra isso.  

            Na época da reforma, Lutero se revoltou porque não podia vender indulgências. A igreja católica poderia ter revisto seus conceitos, pregado a tolerância religiosa, acabado com a venda de indulgências, diminuído as ostentações mundanas e focado no crescimento espiritual dos seus fiéis, mas não. Optou pela contra reforma, assassinar e queimar milhares de “hereges” nos seus tribunais mundanos da “Santa inquisição” para confiscar os bens desses indivíduos.

            Voltemos mais ainda, quando o homo sapiens apareceu na África e começou sua jornada colonizadora, chegou na Europa encontrou os homens de neandertal, uma espécie diferente de hominídeo, e, ao invés de aprender e trocar experiências, nós exterminamos completamente a espécie. E, se você vier falar que existem traços de DNA neandertal no homem moderno, isso é só mais um aprova de que o homo sapiens FODEU com eles!

A nossa história se repete e repete, de novo e sempre. Quando são colocados grandeza ou poder na nossa frente, nós sempre escolhemos poder. Por isso, que essa pocilga onde vivemos revirando a lama espessa formada pelo sangue e fezes dos nossos ancestrais é o melhor que podemos oferecer.

            Voltaire escreveu uma obra que ridiculariza o otimismo. Uma das máximas é “tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis.”  A obra do Voltaire é para mostrar que não se pode ser ingênuo e o personagem principal, Cândido, após diversas desventuras, finaliza com um preceito um pouco mais pragmático, dizendo que precisamos cultivar nosso jardim.

Apesar disso, a primeira frase não poderia ser mais verdadeira. Esse é o melhor dos mundos possíveis porque é o único mundo possível. Toda a gama de “se’s” que poderiam tornar o mundo melhor, não são, não foram e nunca serão.

Enquanto isso, nós continuamos chafurdando na nossa própria imundície, fechando os olhos para qualquer coisa que nos mostre a real situação do chiqueiro. Se os jornais ou a internet abrem uma janela onde parte da merda sanguínea resvala nossos olhos, exclamamos, “que horrível”, fechamos a janela e terminamos nosso jantar

Ninguém se importa com ninguém. Ninguém faz nada por ninguém, só empurramos a sujeira para longe dos nossos olhos e continuaremos com nossas escolhas mesquinhas até que a besta fera devore as entranhas do último ser humano que, em sua epifania final, vai levantar o dedo do meio para o firmamento enquanto agoniza, deixando, nesse símbolo fálico, uma herança profana de “foda-se” e escuridão.

            Finalmente, cheguei a uma conclusão. Se for verdade que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus e, que o diabo representa a antítese dessa imagem e semelhança, mal posso esperar para chegar ao inferno.

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