Se uma série faz muito sucesso, a indústria precisa fazer uma sequência. É o dinheiro falando, e dinheiro sempre fala mais alto. Foi assim com True Detective. E vai ser assim com Boneca Russa. Já vi várias teorias tentando explicar o seriado, todas elas podem fazer sentido, inclusive, acho que algumas delas serão exploradas na segunda temporada. Universos paralelos, loopings temporais, realidades alternativas. O leque de opções é grande, todas elas muito interessantes e, pode ser, que a segunda temporada fique boa. Então, por que eu não gostaria de ver uma segunda temporada?

               A resposta é simples. Porque, se a série acabar na primeira temporada, a melhor explicação para o que está acontecendo na série é: tudo não passou de uma metáfora. Na minha opinião, o autor fez uma grande metáfora para depressão

               Nadia Vulvokov (Natasha Lyonne) e Alan Zaveri (Charlie Barnett) tem depressão, e lidam com a doença de maneira diferente. Nadia, tem histórico de doença mental na família e foge dos traumas causados pela sua mãe, consumindo drogas, indo a festas e fazendo sexo com estranhos. Eu não condeno nenhum destes comportamentos, contanto que sejam escolhas conscientes e não uma válvula de escape para não enfrentar seus verdadeiros traumas. Por isso, mesmo que Nadia tente encontrar o motivo de suas mortes, ela não consegue fazer o ciclo parar, porque não está indo até o cerne do problema, que ésua depressão. Por isso continua morrendo. Depressão, éfatal.

               Já Alan, tem um quadro mais clássico, um indivíduo que tem a autoestima baixa, poucos amigos, encontra uma namorada e usa a namorada como “muleta” para evitar lidar com seus verdadeiros problemas. Por isso que sua cônjuge o trai, e depois o abandona. Por isso ele comete suicídio.

               Os dois conseguem quebrar o ciclo quando, ao se encontrarem, expõem seus passados e inseguranças, conseguindo, desta forma, estabelecer um relacionamento afetivo (apesar de não amoroso) mais profundo e, só assim conseguem quebrar o ciclo das mortes. Por isso eu não queria que existisse uma segunda temporada. Acredito que esta metáfora irá se perder. Uma obra que usa uma metáfora parecida, é o quadrinho de Fábio Moon e Gabriel Bah, Daytripper. Ao final de cada “capítulo” o personagem principal morre, mas sua história continua no capítulo seguinte. Porque, na verdade, o personagem não morreu, quem morreu foi quem ele era antes, e a cada epifania ele renascia. Uma belíssima metáfora. Depois leiam Daytripper.

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